sábado, 20 de julho de 2013

Lua-de-Mel em Teerão - Azadeh Moaveni

É bom, muito bom ler, um livro como este. Para quem nunca se deslocou ao Médio Oriente, ou particularmente ao Irão, pode ser difícil desmitificar a imagem fundamentalista radical que os media e a opinião generalizada detém, ou erroneamente transpõe dos Iranianos. Digo Iranianos e não Irão. Irão, além de  um conceito muito mais abrangente, é, sem duvida alguma, algo muito mais complexo e intrincado. Por outro lado, Iranianos, não são mais nem menos do que quaisquer outras pessoas, como tu, como eu. É verdade que no Irão existem fundamentalista radicais. Mas também é verdade que existem moderados e seculares modernistas. E, como em qualquer outro lugar do mundo, o povo Iraniano, em geral, não merece que  a sua imagem seja padronizada e estigmatizada pelos valores de uma minoria, ou neste caso particular, pelas acções do establishment clerical que assumiu o poder na sequência da revolução Islâmica de 1979.
Em Lua de Mel em Teerão, Azadeh Moaveni (Casa das Letras), uma repórter Iraniana educada nos Estados Unidos, demonstra através da sua experiência pessoal quem são os Iranianos, o que é o Irão, e o quanto este povo é injustiçado pela opinião pública globalizada. No Irão, Azadeh encontra o amor, o valor da família e o valor da pátria. Os Iranianos, tanto como qualquer cidadão de uma democracia Ocidental, ambicionam justiça e desejam que um dia o seu país reúna as condições de lá serem felizes. Os dilemas das famílias e dos comuns cidadãos, a sua constante luta contra um poder instalado e contra as dificuladades de uma nação em abraçar as mais variadas formas de qualidade de vida que, normalmente, estão associadas, e por vezes limitadas, às democracias Ocidentais, pensamos nós.
Os Iranianos comuns são boas pessoas, muito boas pessoas, que te recebem bem, muito bem, em sua casa, que te fazem perguntas, muitas perguntas. Ajudam-te quando precisas, e, neles, sentes um desejo incipiente de serem livres, uma vontade enorme de terem a oportunidade de liberdade que tu tens. Querem saber como é viver na Europa, querem saber o que pensamos deles, porque, neles, sentimos um enorme desgosto pela imagem que eles julgam, e que na verdade, nós temos deles.
E, nunca senti tamanha aspiração em ninguém, em nenhum outro lado, em conseguir a oportunidade de recomeçar uma outra vida, a sua vida.
Um livro no mesmo género literário de Cisnes Selvagens de Jung Chang, onde as atribulações pessoais e história de um país, são narradas em estilo de romance.
Para compreendermos que não podemos julgar um povo pela imagem dos seus líderes, porque quem está no poder é quem gosta de poder.

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