quarta-feira, 12 de junho de 2013

Um encontro com José Luís Peixoto

Hoje, que já não é hoje, este blogue faz dois anos. Parabéns blogue! Não posso deixar de agradecer a todos os visitantes, tanto os mais e os menos assíduos. Tenho de confessar que é motivante e importante saber que o blogue tem os seus leitores. A todos os que me têm acompanhado um enorme OBRIGADO. Mas tenho de admitir que quando escrevo não posso esperar nada, não se pode esperar nada. Talvez, assim, e só assim, se consiga escrever desinibidamente livre, e, talvez, assim, e só assim, se consiga realmente ser verdadeiro. Por vezes releio os rascunhos que fui escrevendo, e, por vezes, não sei bem se realmente sei escrever. Talvez, tenha uma desinibição maior que a imaginação. Por falar nisso, conto-vos uma estória. Este último fim-de-semana fui à feira do livro de Lisboa e aproveitei para que os meus livros do José Luís Peixoto fossem autografados. Enquanto aguardava na fila, por vezes, olhava para as outras pessoas que também estavam na fila, a jovem mãe com uma menina pequena, a mulher a ler um dos livros do Zé Luís, a permanente conquista por um espaço nas barracas, e, por outras vezes, pensava no que diria quando finalmente chegasse a minha vez. Ou, então, ainda por outras vezes, olhava para o Zé Luís que parecia sempre muito simpático a falar com as pessoas. E eu, eu descontraia. Até que. Chegou a minha vez. O meu tronco já estava ligeiramente inclinado para a frente, em posição de arranque, e o meu pé direito descolara ligeiramente do chão, quando um senhor, vindo de um qualquer lado, pediu-me desculpa, só um minuto! Parei o meu arranque. Obviamente que, aquele senhor, conhecia o Zé Luís. O Zé Luís levantou-se, cumprimentou o tal senhor, falaram um pouco, o senhor voltou-me a pedir desculpa, eu voltei a dizer que não havia problema, até que, o Zé Luís e o senhor se despediram, o senhor voltou uma vez mais a pedir desculpa, e eu, eu avancei. É agora!, pensei. E o Zé Luís, muito simpático, pediu-me novamente desculpa, dizendo que compreendia ser chato estar há tanto tempo na fila, para que. Para que, quase quase no momento, aquele momento, afinal, ainda não fosse o momento. Respondi que não havia problema nenhum, que, assim, até aumentava o suspense e a emoção, aquele suspense do, É agora!, …..não não é……. É agora!..... não……… agora é que é! E lá se foi todo o plano das coisas que eu tinha pensado dizer quando chegasse a minha vez. Já sentados, dei-lhe os dois livros, O Abraço, e, Dentro do Segredo. E ele. Como te chamas? João Paulo. E eu. E eu disse-lhe que quando lia as suas crónicas na Visão me assustava. E ele. Porquê? E eu. Por causa da forma, da forma como vocês assimilam as coisas, você e o António Lobo Antunes, que também escreve as suas crónicas para a Visão, a forma, a essência da coisas. E ele: Mas o que eu escrevo é muito diferente do António. Assustado?? Talvez não seja essa a palavra. E eu. Que outra palavra será então, se como me sinto é mesmo assustado? E sim, por serem diferentes é que me assusta, exactamente por ter de existir algo comum. E ele. Assustado? Talvez seja um boa palavra. Tu escreves? E eu, eu a pensar que ele tem é de me despachar, claro que, assustado, vendo bem, arruma-se o assunto, serve mesmo! E eu. Vou escrevendo umas coisas, mas não tenho jeito. O que é que eu havia de dizer em frente do José Luís Peixoto? Que não escrevo nada mal?! Que até sou assim assim?! E ele. Porquê? E o que é que as pessoas acham do que escreves? E eu. Só os meus amigos é que vão lendo, e até vão dizendo que gostam, mas amigos são sempre suspeitos. E ele. Porquê? Confiança, tens de ter confiança, porque é que  hás-de escrever mal? E eu, lá disse. Tenho muito para aprender. E ele. Eu não sei se o que tu escreves é muito complexo, tipo Eça de Queiroz, ou se é daquelas coisas lamechas, mas…………… e eu não ouvi mais nada porque fiquei a pensar, como é que afinal eu escrevo? Mas, como disse, não escrevo nada de jeito, e descontrai. Falámos mais um bocado, sobre esta coisa do escrever. E eu, a pensar se perguntaria, ou não, todas aquelas coisas absurdas que me tinha lembrado enquanto aguardava na fila, mas que, por momentos, um senhor amigo do Zé Luís, as tinha eclipsado. Pergunta, dizia para mim! Não, não sejas absurdo! E eu. Claro que perguntei. Diga-me uma coisa, não sei se isto lhe faz sentido, mas na sua escrita não precisa de encontrar um balanço entre desinibição e imaginação? E ele. Ele, ficou a olhar para mim. E lá disse. Tens de escrever o que te apetece, sem obrigação, e sem te preocupares em nada. Não escrevas a esperar nada. E eu. Sim, claro, isso seria um erro muito grande. Aliás, quando comecei a escrever, sempre disse que jamais o faria no dia em que ambicionar um qualquer tipo de retorno. Mas. Mas eu não disse isto, e disse só que, sim, que era um grande erro. E voltei a encher os pulmões para uma nova pergunta. E você, quando escreve, por acaso é uma pessoa térrea ou fica com a cabeça no lugar da imaginação da sua escrita, e tudo cá fora, à volta, é outro mundo, não conseguindo concentrar-se em mais nada? E ele? E ele, voltou a olhar para mim. Porra, que pergunta mais estúpida! Eu sabia que devia ficar calado! Afinal aquele senhor amigo do Zé Luís tinha lá aparecido a bom tempo, para te pôr no lugar, mas tu, tu, não ligaste nenhuma! E ele, ele lá disse. Tens é de ter confiança e de escrever sem medo o que quiseres escrever, seja o que for, e tens de praticar e batalhar muito. Treinar e aprender muito. E eu. Que pergunta mais parva! Mas não disse isto. Por esta altura, imagino eu, que o Zé Luís já pensava que dar autógrafos nem sempre é fácil. Levantámo-nos. Uns obrigados, uma boa sorte do Zé Luís, uma boa sorte para o Zé Luís, como se fosse ele que precisasse de sorte.
É desta forma que vos digo que tenho gostado bastante de escrever e que quero continuar a escrever. 
Para os mais curiosos, acrescento que actualizei a Página das Estatísticas.
Espero brevemente ter novas ideias, mas, espero ainda mais, que as saiba contar.
Obrigado.




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