sábado, 16 de junho de 2012

Pós-Guerra, PARTE I 1945 - 1953

O silenciar das armas e a assinatura de um tratado de paz não é o fim.

Em Pós-Guerra - História da Europa desde 1945 (Edições 70):

I PARTE – PÓS-GUERRA 1945-1953

Em consequência da Segunda Guerra Mundial, a perspectiva que a Europa oferecia era de miséria e desolação. As fotografias e os documentários da época mostram torrentes deploráveis de civis desamparados, viajando em carroças através de paisagens bombardeadas, por cidades devastadas e campos áridos. Crianças órfãs vagueiam desoladas à frente de grupos de mulheres exaustas, vasculhando destroços de casas em ruínas. Deportados com as cabeças rapadas e internados em campos de concentração, vestindo pijamas às riscas, olham apaticamente para a câmara, esfomeados e doentes.”

Apenas em Berlim havia 53 000 crianças perdidas no final de 1945 [...]. Na Checoslováquia libertada, havia 49 000 crianças órfãs, na Holanda 60 000, na Polónia estima-se que houvesse cerca de 200 000, na Jugoslávia talvez 300000.”

Como muitos dos danos foram causados às casas e edifícios de apartamentos e, em consequência, muitas pessoas ficaram sem lar (cerca de 25 milhões de pessoas na União Soviética e outros 20 milhões na Alemanha), [...], uma paisagem urbana juncada de pedras […].”

Sobreviver à guerra era uma coisa, sobreviver na paz, outra.”

O problema de alimentar, alojar, vestir e cuidar dos civis europeus maltratados (e dos milhões de soldados prisioneiros das antigas potências do Eixo) era complicado e aumentava devido à crise sem precedentes de refugiados. Esta era, de certa forma, uma experiência nova para a Europa. Todas as guerras afectam a vida dos combatentes, ao destruírem a sua terra e as suas casas, ao inutilizarem as suas comunicações, ao alistarem e matarem maridos, pais e filhos.”

Foram muito poucas as vilas e cidades europeias, independentemente da sua dimensão, que ultrapassaram a guerra incólumes. Por acordo tácito ou pura sorte, os centros antigos do Renascimento e da Idade Moderna de algumas poucas cidades europeias famosas – Roma, Veneza, Praga, Paris, Oxford – nunca foram alvos de ataques.”

No final da Primeira Guerra Mundial, as fronteiras foram redesenhadas e ajustadas, mas as pessoas foram todas deixadas nos mesmos locais (com a execpção dos Gregos e Turcos). Após 1945, o que aconteceu foi precisamente o contrário: salvo uma excepção importante, as fronteiras foram mantidas mais ou menos intactas e, em vez disso, as pessoas foram deslocadas [...] a expressão «limpeza étnica» não existia ainda […].”

Com algumas excepções, o resultado foi uma Europa de Estados-nação mais etnicamente homogéneos do que alguma vez foram. [.....]. A Jugoslávia manteve a sua complexidade étnica, apesar de lutas sangrentas entre as comunidades durante a guerra.”

Permanecia, no entanto uma questão: qual seria o seu destino? Os refugiados e os próprios deslocados não tinham qualquer dúvida. […..] pretendem ir para qualquer lado, excepto para o próprio país. Mas quem estaria disposto a recebe-los?”

Os critérios de admissão eram simples: os estados europeus ocidentais estavam interessados em (homens) trabalhadores manuais e perante esta necessidade não tinham pejo em favorecer os bálticos, os Polacos e os Ucranianos, independentemente do que tivessem feito durante a guerra. As mulheres solteiras eram bem-vindas como trabalhadoras manuais ou domésticas, embora em 1948 o Ministério do Trabalho Canadiano tivesse rejeitado raparigas e mulheres que pretendiam emigrar para o Canadá para prestar serviços domésticos quando havia algum indício de possuírem instrução acima da escola secundária. Por outro lado, ninguém pretendia gente mais velha, órfãos ou mulheres com filhos. Por isso, em geral, os refugiados não foram recebidos de braços abertos: […].”

O último campo para deslocados situado na Alemanha, em Foehrenwald, na Baviera, fechou em 1957.”

Nunca se pôs a questão de fazer regressar os judeus ao Leste. Na União Soviética, na Polónia ou em qualquer outro país, ninguém manifestou o mínimo interesse em tê -los de volta. Mas os judeus também não eram particularmente bem-vindos no Ocidente, sobretudo se tinham formação ou qualificação para profissões não braçais. Por isso, bastante ironicamente, continuaram na Alemanha. A dificuldade de «colocar» os judeus da Europa só foi resolvida com a criação do Estado de Israel. Entre 1948 e 1951, partiram para Israel 332 000 judeus […].”

O que era «o planeamento»? O termo é enganador. O que todos os planeadores tinham em comum era a crença num maior papel do Estado em questões sociais e económicas.”

A teoria económica do planeamento aprendeu directamente com as lições dos anos 30: uma estratégia de sucesso para a recuperação no pós-guerra deveria evitar qualquer regresso à estagnação, à depressão, ao proteccionismo e, sobretudo ao desemprego. Idênticas considerações estão na base da criação do moderno Estado-providência (Estado-social) europeu. […]. O fascismo e o comunismo desenvolveram-se devido ao desespero social, ao enorme abismo que separava os ricos dos pobres.”

Em nenhum país (antes da guerra), se reconhecia qualquer obrigação por parte do Estado de garantir um determinado conjunto de serviços a todos os cidadãos, fossem homens ou mulheres, empregados ou sem trabalho, velhos ou novos.
Foi a guerra que mudou isto tudo. Tal como a Primeira Guerra Mundial tinha suscitado legislação e medidas sociais, ainda que apenas para lidar com as viúvas e órfãos, os inválidos e os desempregados dos anos do imediato pós-guerra, também a Segunda Guerra Mundial transformou, quer o papel do Estado moderno […].
Após 1945, os Estados-providência europeus eram muito diversos na quantidade de recursos que forneciam [...]. O fornecimento de serviços sociais dizia sobretudo respeito à educação, à habitação e aos cuidados médicos, para além das áreas urbanas de lazer, dos transportes subsidiados, da arte e da cultura [...]. A segurança social consistia sobretudo em seguros proporcionados pelo Estado contra a doença, o desemprego, os acidentes de trabalho e os riscos associados à velhice.”

Em segundo lugar, os Estados-providência da Europa ocidental não suscitavam discordância políticas. A sua intenção geral, para alguns mais do que para outros, era operar uma redistribuição social, e não era, de modo algum, revolucionária: não «batiam nos ricos». Pelo contrário, embora a maior vantagem imediata fosse sentida pelos pobres, quem beneficiou de facto, a longo prazo, foi a classe média profissional e comercial. Em muitos casos, os seus elementos não tinham antes direito a assistência médica no trabalho, nem a subsídios de desemprego ou a pensões de reforma [….]. Agora, tinham total acesso a eles, gratuitamente ou a baixo custo.”

Graças à introdução dos Estados-providência, os europeus comiam mais e, na sua maioria, melhor, viviam mais tempo, tinham vidas mais saudáveis, possuíam melhores alojamentos e vestiam-se com mais qualidade do que alguma vez antes.”

[…] em quase todos os países europeus envolvidos na Segunda Guerra Mundial as economias estavam estagnadas ou em recessão […]. Pelo contrário, pode constituir um estimulo poderoso para um rápido crescimento económico em alguns sectores. Graças à Segunda Guerra Mundial, os EUA alcançaram uma posição de liderança inexpugnável do ponto de vista comercial e tecnológico […].”

[…] a Alemanha dependia fortemente da Espanha de Franco para o fornecimento de manganésio. O tungsténio chegava, à Alemanha, via Lisboa, vindo das colónias portuguesas. […] 40% das necessidades de minério de ferro era satisfeitas pela Suécia. Todos estes fornecimentos eram pagos em ouro, muito deles roubado às vítimas da Alemanha e canalizado através da Suíça.”

Os Suíços fizeram bem mais do que intervir na lavagem de dinheiro e funcionaram como intermediários nos pagamentos efectuados pela Alemanha, […]. Em 1941-1942, 60% da indústria de munições, 50% da indústria óptica e 40% da produção de engenharia da Suíça destinavam-se à Alemanha, que pagava em ouro.”

Antes da Guerra, nem a Suíça nem a Suécia eram particularmente prósperas. Na verdade , tinham áreas de significativa pobreza rural. Mas o avanço que ganharam durante a guerra revelou-se duradouro: ambos os países estão hoje no topo da Europa […].”

Todavia, houve um problema europeu que o Programa de Recuperação Europeu não pôde resolver nem evitar, embora tudo o mais dependesse da sua resolução. Era a «Questão Alemã».”

O que se pretendia, afinal, era desenvolver e integrar a Alemanha, não fazer dela uma pária dependente.”

No pós-guerra, a chave do futuro da Europa era um acordo sobre a Alemanha e isto era tão evidente em Moscovo como em Paris, Londres ou Washington. No entanto, os contornos que um tal acordo deveriam ter eram uma questão muito controversa.”

Deve ser claro a partir deste relato que pouco se ganha em perguntar «quem começou a Guerra Fria?». Na medida em que o objecto da Guerra Fria era a Alemanha, o resultado final, um país dividido, era provavelmente aquele que todos julgavam preferível a uma Alemanha unida contra eles. Ninguém planeara este resultado em Maio de 1945.”


"[...] quando os nazis ocuparam a França em 1940 e chegaram a acordo com Pétain sobre um sistema de pagamentos e entregas que se resumiam à utilização obrigatória dos recursos franceses no esforço de guerra alemão, houve, contudo, muitos que viram nesta « colaboração» franco-germânica o gérmen de uma nova ordem económica «europeia».
Por isso, Pierre Pucheu, um alto funcionário de Vichy, que seria mais tarde executado pelos franceses livres, perspectivava uma nova ordem europeia no pós-guerra em que as barreiras alfandegárias seriam eliminadas e uma única economia cobriria todo o continente com uma moeda única."

Gare do Oriente

Estava à espera de uma maior intricação entre as personagens, assim como, entre as personagens e o acontecimento central do livro, o ataque terrorista a uma estação central europeia. Cansei-me por vezes das divagações interiores e da carência de movimento, acção. No entanto, um livro para entender diferenças interiores e exteriores.


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