sábado, 11 de junho de 2011

A(s) ideia(s)

Um dia parei, sentei-me e apeteceu-me escrever. O meu braço tornou-se a extensão das minhas concepções, a minha mão a sua definição, e uma caneta qualquer deslizava sobre uma folha de papel que hoje não sei onde está. Desde esse dia, já perdi tantas folhas de papel quantas aquelas que guardo soltas. Por isso, hoje, deixei a caneta tranquilamente pousada sobre a secretária. A noite está amena, guardo o quarto com os estores das duas janelas abertos pelas gretas, deixando a aragem acariciar-me o tacto. Ajeitei a cama, peguei no portátil, sentei-me à cabeceira, estendi as penas e coloquei o portátil sobre as coxas. Vou construir um blogue!
A ideia do que quero está assente. Esboço uma visualização da estrutura e estética do blogue, mas esbarro na primeira questão do blogger: inserir o endereço? As regras definem-se ao início. E, assim o dono do jogo quer me lembrar que nem sempre na vida as coisas terminam na forma das suas ideias iniciais. A minha primeira escolha já não está disponível. Faço uma segunda tentativa. Novamente, não está disponível. Convenço-me que blogues há muitos, e que a questão do endereço vai dar luta. Inspiro fundo, desafiando a frescura da aragem a sentir-me pelo interior, aligeirando-me a leve irritação. Consequentemente experimento o calor do portátil a manifestar-se sobre as coxas, levando-me a procurar uma posição mais confortável.
Viro e reviro os olhos à procura de novas ideias. Não sei exactamente quantas olhos já revirei, já nem sei mesmo para onde estão virados. E quantas vezes passei as mãos pela cabeça? Talvez seja melhor abrir um separador novo e começar a digitar endereços até "encontrar o meu". A noite está adormecida e o silêncio impõe-se. Afasto o portátil das coxas, pouso-o sobre a cama, levanto-me, puxo o cabo das colunas e conecto-o. Filtro as músicas por jazz e blues e deixo-as correr aleatoriamente. Demoro uns minutos a voltar a concentrar-me no blogue, ou melhor, nos outros blogues! Avalio as semelhanças e dissemelhanças dos blogues que têm  o “meu endereço”, ao meu próprio. Estou surpreendido! Não me quero identificar com os blogues que acabei de visitar! Já não quero os “meus endereços”! Mas no fundo será que existe alguma relação com os endereços dos blogues e as pessoas? Deve existir, pelo menos um elo mínimo. Em quanto me posso rever nesses blogues? O quanto me posso julgar e chocar a mim próprio? Confesso que, não quero saber esta resposta, mas deixo-vos este desafio: digitem os endereços de blogues que vocês gostavam de dar ao vosso blogue, e vejam o quanto encontram de vós próprios e o quanto não querem sequer imaginar que é mesmo vosso! No mínimo é engraçado……
Acabei também por descobrir que a maioria dos blogues acabam abandonados, esquecidos, temporariamente ou mesmo permanentemente. Certamente não colocarei mensagens todos os dias, nem provavelmente semanalmente. Gostaria de colocar uma mensagem semanalmente, mas já sei que não vou ter tempo, paciência ou mesmo imaginação. Quando é que me vou fartar disto? Não sei.  Também não quero saturar a audiência. Vou tentar escrever poucas mensagens, mas mensagens que vos dêem prazer a acompanhar, proporcionando-vos uma leitura agradável. Será um espaço onde exercerei a minha opinião, a minha visão, a minha leitura. Não será para acompanharem o que faço e onde estou.
Se isto vai resultar? Volto a repetir: nem sempre na vida as coisas terminam na forma das suas ideias iniciais.

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